Uma decisão da União Europeia (UE), publicada nesta sexta-feira (5), acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro ao retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco em razão de exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária.
Pela nova regra, as exportações de carnes brasileiras para a UE ficam impedidas a partir de 3 de setembro, caso a medida não seja revertida até lá.
O bloqueio alcança não apenas a carne bovina, principal item da pauta, mas também aves, ovos, mel, pescado, equinos e outros produtos de origem animal.
Segundo dados oficiais citados pelo Ministério da Agricultura, as vendas de produtos de origem animal do Brasil para a UE movimentaram cerca de US$ 1,8 bilhão em 2025, valor que ilustra a relevância do mercado europeu para a cadeia de proteínas brasileiras.
Em valor, a UE é hoje o segundo principal destino das carnes brasileiras, atrás apenas da China, de acordo com o sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura. A restrição surge em um momento em que o setor tenta diversificar mercados e reduzir a dependência de poucos compradores.
A UE não aponta contaminação ou problemas sanitários diretos na carne brasileira, mas afirma que o país não forneceu “garantias suficientes” sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação de animais, conforme as normas do bloco.
As regras europeias proíbem, entre outros pontos:
De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil não comprovou, com documentação e rastreabilidade suficientes, que controla o uso dessas substâncias ao longo de toda a cadeia produtiva destinada à exportação para o bloco.
O governo brasileiro declarou-se surpreso com a decisão e iniciou uma ofensiva diplomática junto à Comissão Europeia em Bruxelas para tentar reverter, total ou parcialmente, o veto antes da data em que passa a valer.
Autoridades brasileiras se comprometeram a enviar, em curto prazo, informações adicionais e novas diretrizes sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, com o objetivo de demonstrar conformidade com as exigências europeias.
Entidades do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), afirmam que a carne brasileira atende aos requisitos sanitários dos principais mercados e que o desafio está em provar, documentalmente, o nível de controle exigido pela UE.
Segundo porta-voz da Comissão Europeia, o Brasil poderá voltar à lista de países autorizados a exportar para o bloco desde que demonstre, com garantias formais, o cumprimento das regras sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados ao mercado europeu.
Especialistas apontam dois caminhos principais em discussão entre os técnicos:
Enquanto isso, o setor exportador acompanha com preocupação o calendário: até 3 de setembro, as vendas seguem permitidas; passado esse prazo, sem um acordo, o acesso ao mercado europeu ficará suspenso, pressionando preços, margens e estratégias comerciais de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro.