
O desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma reconfiguração intensa no mercado de câmbio brasileiro. Com o resultado de domingo apontando Flávio Bolsonaro à frente de Lula, o dólar encerrou a sessão de segunda-feira contabilizando uma queda de 4,12%, o que representa a maior baixa diária em mais de oito anos.
O movimento contundente devolveu a divisa norte-americana ao patamar de R$ 5,0022, seu menor nível de fechamento desde 21 de maio. Em paralelo ao otimismo cambial, o pregão foi marcado pelo salto de 7,85% no Ibovespa, que ultrapassou a marca histórica dos 200 mil pontos pela primeira vez, enquanto as taxas de juros futuros de longo prazo recuaram expressivamente.
De acordo com especialistas, o mercado financeiro passou a precificar uma maior probabilidade de alternância de poder e, como consequência direta, a expectativa de uma trajetória fiscal teoricamente mais crível a partir de 2027. A leitura predominante é de que a reação nas cotações reflete a remoção do prêmio de risco, e não uma mudança imediata nos fundamentos econômicos do país.
O cenário de alívio contrasta radicalmente com o quadro observado até a véspera do pleito. Na sexta-feira que antecedeu a votação, o dólar havia registrado um avanço de quase 1%, fechando cotado a R$ 5,2175. Naquele momento, investidores optavam por reduzir sua exposição ao risco diante de um panorama eleitoral que as pesquisas de intenção de voto não conseguiram prever com exatidão.