
Um estudo divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 — reduzindo a jornada semanal de 44 para 36 horas sem redução proporcional de salários — pode elevar em cerca de 22% o custo do trabalho no Brasil e provocar a eliminação de até 1,2 milhão de vagas no primeiro ano de vigência da medida. A entidade defende que mudanças dessa natureza sejam tratadas com cautela e preferencialmente por meio de negociações coletivas entre empregadores e trabalhadores, ao invés de imposições legais.
Segundo o levantamento, cerca de 63% dos vínculos empregatícios formais brasileiros estão concentrados na jornada atual, e setores como varejo, agricultura e construção civil seriam os mais afetados pela alteração abrupta da estrutura de trabalho. A elevação do custo por hora trabalhada — de R$ 10 para R$ 12,22 em exemplo citado no estudo — tende a pressionar preços ao consumidor e reduzir a competitividade das empresas, especialmente as micro, pequenas e médias (MPMEs), que geram grande parte dos empregos formais no país.
A FecomercioSP alerta também que, sem contrapartidas que aumentem a produtividade, os custos extras podem ser repassados ao mercado, elevando a inflação e reduzindo a capacidade de contratação das empresas. A entidade defende que alterações estruturais na relação entre capital e trabalho devem ser negociadas no âmbito das convenções coletivas e em um ambiente de economia aberta e competitivo.
Economistas e parte do setor produtivo argumentam que a melhor forma de estimular a criação de empregos e o crescimento econômico é abrir mais a economia, favorecendo o livre comércio, reduzindo impostos ao longo da cadeia produtiva e facilitando a negociação direta entre empregadores e empregados. Segundo essa visão, um ambiente menos intervencionista permite que empresas ajustem suas operações de forma mais flexível, respondam às demandas do mercado e aumentem a produtividade sem custos adicionais elevados impostos por medidas legislativas.
A defesa do livre comércio inclui propostas de desoneração tributária, simplificação de regras trabalhistas e maior poder de barganha às partes envolvidas nas relações de trabalho, favorecendo acordos que reflitam as realidades de diferentes setores econômicos. Para esses analistas, políticas públicas que reduzam barreiras ao comércio e estimulem competição global tendem a fortalecer o emprego e a renda no longo prazo, ao contrário de medidas rígidas que elevem os custos de produção e desencorajem a contratação formal.