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A festa acabou

Novo governo da Colômbia promete enxugar o Estado e destravar a economia

Redação
Por: Redação Fonte: RealTime
02/07/2026 às 09h10
A festa acabou

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou um forte programa de austeridade e redução do Estado para enfrentar o alto déficit fiscal.

O plano inclui corte de ministérios, revisão profunda do orçamento e retomada da exploração de petróleo e gás, incluindo fracking.

A agenda marca uma guinada liberal-conservadora em relação ao governo de Gustavo Petro, que ampliou gastos e freou a exploração de combustíveis fósseis. 

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, sinalizou que pretende iniciar um ciclo de forte redução do intervencionismo estatal e de reabertura econômica, após anos de expansão de gastos públicos sob o governo de Gustavo Petro. 

Sua equipe anunciou um programa de austeridade fiscal e reversão de políticas anti-produtivas, com foco em:

  • corte de estruturas burocráticas;
  • limitação do crescimento dos gastos;
  • reforma tributária voltada a dinamizar a economia;
  • retomada da exploração de petróleo e gás, inclusive via fracking. 

Déficit fiscal e “cinto apertado” no Estado

A Colômbia enfrenta um déficit fiscal de 6,4% do PIB, um dos mais altos da América Latina, perdendo apenas para o Brasil, segundo dados da Cepal. 

Diante desse cenário, o futuro ministro da Economia, Miguel Gómez, resumiu a mudança de rumo com a frase:

“A festa acabou.”

Na visão da nova equipe, “festa” significa anos de Estado inchado, gasto público em expansão e pouca disciplina fiscal. Gómez deixou claro que, antes de falar em cobrar mais da sociedade, o governo pretende cortar privilégios e excessos do próprio aparato estatal, defendendo que:

  • o Estado deve “apertar o cinto”;
  • recuperar controle sobre seus gastos;
  • deixar mais espaço para o setor produtivo privado. 

Redução do Estado: corte de ministérios e reestruturação da máquina pública

Espriella, advogado de direita e novato na política institucional, chegou ao poder com uma proposta de guinada liberal-conservadora: reduzir em 40% o tamanho da estrutura estatal

O plano de austeridade — ainda sem todos os detalhes públicos — inclui:

  • extinção de ministérios e órgãos considerados redundantes;
  • revisão completa do orçamento federal, com corte de despesas não essenciais;
  • reorganização das funções do governo para concentrar-se em segurança, justiça e estabilidade macroeconômica, reduzindo programas de caráter estatizante. 

A mensagem central é que o Estado colombiano deve deixar de tentar comandar a economia e passar a criar condições para que indivíduos e empresas prosperem com mais autonomia.

Reforma tributária: menos distorções, mais crescimento

A equipe econômica também anunciou que preparará uma reforma tributária que, segundo Gómez, terá como eixo estimular o crescimento econômico, em vez de apenas aumentar arrecadação. 

Entre as diretrizes que vêm sendo mencionadas ao longo da campanha e após a eleição:

  • ampliar a base tributária, integrando mais pessoas e empresas à formalidade;
  • reduzir impostos corporativos para incentivar investimento e geração de empregos no setor privado; 
  • revisar benefícios e isenções de maneira a tornar o sistema mais simples e menos distorcido, favorecendo previsibilidade e ambiente de negócios.

Esse movimento se opõe ao modelo de reformas tributárias voltadas à elevação de carga e expansão do Estado, que já geraram protestos massivos no passado colombiano, como no governo Iván Duque, quando tentativas de aumentar impostos sobre classes média e alta desencadearam grandes manifestações de rua. 

Limite ao crescimento dos gastos: freio no expansionismo

Outra medida anunciada por Gómez é impor um teto ao crescimento das despesas públicas.

A diretriz apresentada:

  • o orçamento de 2027 deve crescer abaixo da inflação, o que, na prática, representa uma redução real do gasto público; 
  • isso significa que o Estado deixará de se expandir automaticamente ano após ano, sendo forçado a priorizar áreas essenciais e podar programas que não entregam resultados.

Essa lógica é compatível com uma visão mais fiscalmente responsável e menos estatizante, aproximando a Colômbia de agendas de regras de gasto e disciplina orçamentária vista em outros países que tentam conter o avanço da dívida pública.

Contexto político: da esquerda estatizante à direita pró-mercado

A vitória de Abelardo de la Espriella representa uma mudança brusca de rumo em relação à trajetória recente da Colômbia:

  • Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda pura e dura, governou com forte crítica ao modelo econômico tradicional, defendendo mais intervenção estatal e agendas de reforma social. 
  • Espriella, por sua vez, é um candidato de direita, jurista e com cidadania também americana. 
  • Sua plataforma inclui, além da austeridade fiscal, redução drástica do Estado em 40%, construção de megaprisões, flexibilização de porte de armas para civis e ofensiva contra grupos armados com cooperação de Israel e Estados Unidos
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