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Coluna de fumaça de Vouzela atinge 620 km e torna-se visível do espaço

O fogo que começou na madrugada de quinta-feira em Vouzela já consumiu mais de 11 mil hectares de floresta

Redação
Por: Redação Fonte: Público
06/07/2026 às 09h13
Coluna de fumaça de Vouzela atinge 620 km e torna-se visível do espaço

A coluna de fumaça gerada pelo grande incêndio que lavra em Vouzela, no distrito de Viseu, já atingiu cerca de 620 quilómetros de extensão e é claramente visível em imagens de satélite, segundo dados cruzados de serviços meteorológicos e sistemas europeus de monitorização de incêndios florestais. 

Visível do espaço

Imagens de satélite divulgadas por organismos meteorológicos mostram uma faixa densa de fumaça a estender-se a partir da região centro de Portugal, projetando-se sobre o Atlântico e, em alguns momentos, chegando a afetar outros territórios da Península Ibérica. 

Especialistas explicam que a altura e extensão da nuvem resultam da combinação de:

  • temperaturas muito elevadas,
  • vento moderado a forte,
  • e a enorme quantidade de biomassa em combustão na serra do Caramulo e áreas adjacentes. 

Incêndio continua a alastrar-se

O fogo que começou na madrugada de quinta-feira em Vouzela continua a ser o principal foco de preocupação das autoridades. 

  • Já consumiu mais de 10 a 11 mil hectares de floresta e mato, segundo estimativas europeias. 
  • As chamas alastraram aos concelhos de Oliveira de Frades, Águeda e Tondela, com várias frentes ativas registadas ao longo do dia. 
  • Em diferentes momentos, estiveram mobilizados cerca de 900 a 1.100 operacionais, apoiados por perto de 300 a 370 meios terrestres e entre 10 e 11 meios aéreos. 

A autoestrada A25 chegou a estar cortada entre os nós de Vouzela/São Pedro do Sul e Reigoso, tendo sido reaberta após melhorias pontuais na situação. 

A linha ferroviária do Vouga também foi interrompida em alguns troços por razões de segurança. 

Casas ameaçadas e povoações evacuadas

O fogo tem ameaçado diversas habitações, levando à evacuação preventiva de aldeias no concelho de Tondela e à dispersão de moradores por abrigos temporários e casas de familiares. 

As autoridades confirmaram pelo menos sete a nove feridos relacionados com o incêndio de Vouzela, incluindo operacionais de combate às chamas, com pelo menos um ferido considerado grave. 

Proteção Civil e forças no terreno sublinham que a prioridade imediata é a proteção de pessoas e bens, mantendo-se equipas pré-posicionadas para reagir a possíveis reativações durante a noite, quando o vento pode mudar de direção.

Suspeitas de origem criminosa

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que existem fortes indícios de origem criminosa na ignição do incêndio. 

Segundo o governante, o facto de terem ocorrido duas ignições entre as 2h00 e as 3h00 da madrugada, num período em que não se verificavam condições típicas de início espontâneo de fogos, “indicia um comportamento humano, um comportamento criminoso”. 

País em alerta vermelho devido ao calor

Portugal continental encontra-se em situação de alerta, com grande parte do território sob risco muito elevado ou máximo de incêndio rural. 

A decisão do Governo reforça:

  • a prontidão operacional dos meios de combate;
  • as restrições de acesso a algumas áreas florestais;
  • e a proibição de determinadas atividades de risco em zonas rurais, como uso de maquinaria sem proteção adequada ou queimas e queimadas.

As autoridades reiteram apelos à população para que:

  • evite qualquer uso de fogo em espaço rural,
  • comunique de imediato qualquer foco de incêndio,
  • e siga as orientações de evacuação e segurança sempre que determinado pelos comandos de operações.

Impacto atmosférico e de saúde pública

Especialistas em qualidade do ar alertam que uma coluna de fumo com mais de 600 km de extensão pode:

  • transportar partículas finas (PM2.5 e PM10) a longas distâncias;
  • agravar sintomas respiratórios em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crónicas;
  • e reduzir a visibilidade em regiões distantes do foco principal do incêndio.

Autoridades de saúde recomendam que, em zonas afetadas pelo fumo:

  • se limite a permanência ao ar livre,
  • se mantenham janelas fechadas sempre que possível,
  • e se utilizem máscaras adequadas em caso de exposição prolongada ao fumo.

Mesmo à distância, uma coluna de fumo de 620 km é um lembrete brutal de que o que arde em Vouzela não é apenas floresta: é clima, é ar que todos respiramos, é segurança de comunidades inteiras.

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