
Em uma eleição acirrada e carregada de simbolismo, o povo colombiano escolheu neste domingo (21) o advogado Abelardo de la Espriella, do partido Defensores de la Pátria, como novo presidente da Colômbia, em um movimento que representa a volta da direita ao poder e demonstra a confiança dos eleitores em uma mudança de rumo para o país.
Com 99,58% das urnas apuradas, a contagem preliminar do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) indica que De la Espriella recebeu 12.914.381 votos, o equivalente a 49,66%, superando por pequena margem o candidato de esquerda Iván Cepeda, do Pacto Histórico, que obteve 12.663.687 votos (48,69%).
A disputa apertada evidencia o alto grau de engajamento da sociedade colombiana e o peso de sua decisão nas urnas.
Conhecido como “El Tigre”, De la Espriella, de 47 anos, construiu sua campanha com um discurso firme de segurança e alinhamento internacional. Admirador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do líder de El Salvador, Nayib Bukele, ele defende um estreitamento das relações da Colômbia com Washington e com Israel, sinalizando uma política externa mais próxima desses aliados estratégicos.
O presidente eleito prometeu uma ofensiva de 90 dias contra grupos armados no país, contando com apoio norte-americano e israelense, deixando claro que segurança pública e combate ao crime organizado serão prioridades centrais de seu governo.
Detentor de dupla nacionalidade, colombiana e norte-americana, De la Espriella se opõe às políticas de paz adotadas pelo atual governo de Gustavo Petro e critica a forma como foram conduzidas as negociações com grupos armados.
Embora o acordo de 2016 com as Farc tenha trazido algum alívio inicial, o cenário voltou a ser marcado por episódios de violência, inclusive com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato durante a campanha presidencial.
De la Espriella responsabiliza Petro pela escalada de violência, chamando-o de “chefe da máfia”, e já sinalizou que poderá levar o caso à Justiça dos Estados Unidos.
Seu discurso encontrou eco em milhões de colombianos que, por meio do voto, optaram por uma guinada mais dura contra o crime e por uma agenda de maior aproximação com aliados internacionais conservadores.
Ao eleger Abelardo de la Espriella, o povo colombiano demonstrou confiança em uma nova direção política, apostando em mudanças profundas na área de segurança e em uma reconfiguração das alianças externas do país. A vitória de “El Tigre” revela um eleitorado atento, participativo e disposto a redefinir os caminhos da Colômbia diante de desafios complexos e persistentes.