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Calêndula: planta queridinha dos chás e creme

Suas flores amarelas ou alaranjadas são ricas em compostos naturais

Redação
Por: Redação
22/06/2026 às 10h32
Calêndula: planta queridinha dos chás e creme

?  Nos últimos anos, a calêndula (Calendula officinalis) saiu do jardim da vovó e ganhou espaço em cosméticos, chás, pomadas e até suplementos. A fama é grande: ação antioxidante, proteção da pele, “fortalecimento” do sistema imunológico. Mas o que a ciência realmente diz sobre isso?

O que é a calêndula?

A calêndula é uma planta medicinal tradicionalmente usada para:

  • aliviar irritações de pele
  • ajudar na cicatrização de pequenos ferimentos
  • compor chás e infusões de uso popular

Suas flores amarelas ou alaranjadas são ricas em compostos naturais que vêm chamando a atenção de pesquisadores.


 Ação antioxidante: o ponto forte da calêndula

Estudos laboratoriais apontam que a calêndula tem importante atividade antioxidante, ou seja, ajuda a neutralizar radicais livres – moléculas instáveis relacionadas ao envelhecimento celular e a diversos processos inflamatórios.

Essa ação está ligada, principalmente, a três grupos de compostos presentes nas flores:

  • Flavonoides – como quercetina e isorhamnetina, conhecidos antioxidantes naturais
  • Carotenoides – pigmentos responsáveis pela cor intensa das pétalas, também com ação antioxidante
  • Compostos fenólicos em geral – um conjunto de substâncias bioativas frequentemente associados à proteção celular

Na prática, isso significa que extratos de calêndula, em testes de laboratório, mostram capacidade de reduzir o dano oxidativo em células e sistemas biológicos. Isso ajuda a justificar o uso da planta em:

  • fórmulas cosméticas (cremes, loções, pomadas)
  • produtos voltados à proteção da pele contra agressões externas
  • preparações fitoterápicas com apelo antioxidante

Um ponto importante: embora a calêndula contenha diversos tipos de moléculas, os flavonoides e carotenoides são os grandes protagonistas quando falamos de antioxidantes. Atribuir esse papel principalmente a “alcaloides”, como às vezes aparece em textos divulgados na internet, não reflete com precisão o que as pesquisas têm mostrado.


 E o sistema imunológico: a calêndula realmente “fortalece” a imunidade?

A ciência já observou efeitos imunomoduladores da calêndula, especialmente em estudos:

  • in vitro (em células, em laboratório)
  • em animais de experimentação

Algumas dessas pesquisas indicam que extratos da planta podem:

  • estimular ou modular a atividade de linfócitos, células importantes do sistema imunológico
  • influenciar a produção de certas citocinas, substâncias envolvidas na resposta imune e inflamatória

Alguns estudos com extratos aquosos de calêndula (semelhantes a infusões e chás) observaram aumento da ativação de linfócitos em condições controladas de laboratório. Isso ajuda a sustentar a ideia de um potencial efeito imunomodulador – ou seja, a planta poderia ajudar a regular aspectos da resposta imune.

Automedicação continua sendo um risco.
Mesmo produtos naturais podem causar reações alérgicas, interagir com medicamentos ou não ser indicados em certos casos (gestantes, crianças, pessoas com doenças autoimunes etc.).
* Sempre busque por orientação de um profissional médico.

Chá, pomada, cápsula: como a calêndula costuma ser usada

Na prática, a calêndula aparece em diversos formatos:

  • Uso tópico
    • cremes e pomadas para pele irritada
    • loções pós-sol
    • produtos para pele sensível
  • Uso interno (sempre com orientação adequada)
    • chás e infusões das flores secas
    • extratos em gotas ou cápsulas, em formulações fitoterápicas

Em produtos de uso tópico, a combinação de efeito calmante, antioxidante e anti-inflamatório local ajuda a explicar a popularidade da planta em dermatologia e cosmética.


 O que dizem médicos e especialistas?

Profissionais de saúde costumam adotar uma linha de equilíbrio:

  • reconhecem a tradição de uso da calêndula e o respaldo crescente de estudos experimentais
  • recomendam cautela com promessas exageradas, especialmente quando se fala em “reforçar a imunidade” ou “substituir tratamentos”
  • orientam que o uso medicinal – principalmente via oral – seja feito com acompanhamento de médico ou fitoterapeuta qualificado

Para quem usa apenas cremes ou pomadas com calêndula para pequenos desconfortos de pele, o risco costuma ser baixo, mas reações alérgicas são sempre possíveis.

Em resumo

  • A calêndula é uma planta com boa evidência de ação antioxidante, graças à presença de flavonoides, carotenoides e outros compostos fenólicos.
  • Estudos experimentais sugerem que extratos de calêndula, inclusive aquosos, podem modular a atividade de linfócitos e outras células do sistema imune, indicando potencial efeito imunomodulador.
  • Falar que “fortalece o sistema imune” é uma simplificação: faltam ainda estudos clínicos em larga escala em humanos para confirmar esse benefício de forma conclusiva.
  • Como em qualquer produto de origem natural, o uso deve ser responsável, especialmente em pessoas com doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos, gestantes e crianças.

Fontes:
Muley BP, Khadabadi SS, Banarase NB. Phytochemistry and pharmacological activities of Calendula officinalis Linn (Asteraceae): A review. Int J Pharm Sci Rev Res. 2009;4(2):130–135.  - https://scholar.google.com/scholar?q=Muley+Khadabadi+Banarase+Calendula+officinalis+phytochemistry+pharmacological+activities

Della Loggia R, Tubaro A, Sosa S, Becker H, Saar S, Isaac O. The role of triterpenoids in the topical anti-inflammatory activity of Calendula officinalis flowers. J Ethnopharmacol. 1994;57(2):139–144. - https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7827143

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